sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Nó na garganta



Oi. Há muito tempo não escrevo nesse blog, tenho estado muito introspectiva... Faz um tempo que não me expresso, nem por vídeo nem por texto nem por fotos e nem por nenhuma outra mídia. Não sei ao certo o porquê de tudo isso (eu nunca sei), mas hoje está tão pesado e eu quero tanto desabafar que escolhi o único lugar que ninguém vai me julgar (talvez nem ler): o blog.
Vou começar meu desabafo falando um pouco sobre a minha vida e a minha história. Tudo começou quando eu nem existia... Minha mãe, Lourdes, a primeira dos 12 filhos que minha avó teve, nasceu em Açu - RN e viveu no estado até os 20 anos. Sua vida e de seus irmãos sempre foi muito simples, pra não dizer miserável em alguns momentos quando só tinha feijão e farinha pra comer. Devido à falta de recursos (todos eles), ela começou a trabalhar com 9 anos como babá, depois como faxineira, e foi dentro das casas nas quais ela trabalhou que o aprendizado de que o melhor caminho para melhorar de vida era o estudo se firmou na cabeça dela. Aos 17 anos ela saiu de casa (por motivos que não vêm ao caso no momento) e se casou com o namorado que tinha na época - não porque o amava, mas porque morar sozinha naquela época antes de se casar deixava as mulheres "mal faladas". Com tudo, ela teve que abandonar o último ano da escola para trabalhar mais e assim pagar as contas da casa dela. Nessa época ela trabalhava numa empresa de roupas do nordeste chamada Guararapes. Porém, a violência e o ódio a fizeram fugir novamente, dessa vez em direção ao sudeste do país.
São Paulo, um mundo de possibilidades, mas também um mundo de armadilhas, pra nós duas. Lá ela começou sua vida do zero, cheia de medos e inseguranças num corpinho magro de 45kg e 1,58m. Trabalhou como doméstica, conheceu aquele que seria seu carma (meu pai), fez um curso de cabeleireira, adquiriu uma profissão.  Cresceu inocente e cega, sem malícias, só queria casar e formar família. "Se meteu onde não foi chamada" - na família para a qual não foi chamada. Foi roubada, maltratada, desrespeitada por anos. Lutou por tudo, até para engravidar. Sofreu por tudo, até para "parir". Seis anos de tentativas e eu surgi como quem não quer nada no útero dela. Cresci, nasci, aí começa minha história.
17 de abril de 1996, Guarulhos, SP. Estava chovendo (disse minha mãe) às 20:00h quando eu finalmente saí, cianótica, do forninho. Quase 42 semanas de gestação. Dizem que eu sou lerda, até pra nascer o fui.
Cresci, inevitavelmente. Fui cercada por pessoas que viria a pensar que conhecia, que me amavam. Entretanto, amor é um sentimento muito relativo. Eu não aprendi a amar nem a mim mesma, o que dirá amar outro alguém. Ainda estou tentando aprender.
Aos 4 anos, em 2000, quando meu irmão era só um bebê, vi meu pai bater na minha mãe. Era barulhento, eu sentia o cheiro do medo e era fétido. Me escondi de baixo da cama, ali não havia monstros na minha concepção. O monstro estava lá fora, batendo na minha mãe. Havia sangue no rosto dela, mas não tinha sirene, ninguém chamou a polícia. Era pra ser assim?
Aos 10 anos tinha pleno conhecimento do que era sexo, motel, traição. Meu pai traía a minha mãe, desde sempre. Doeu nela, doeu em mim, doeu no meu irmão que nem entendia nada ainda. Quem ensinou pra ela que aquilo era normal? Que homens fazem essas coisas? Que homens são todos iguais? Quem ensinou tudo isso pra mim também? E eu menstruei. Já era uma mulher?!
Ela tentou de novo. Aos 12 eu estava mudando de cidade sem perceber o que aquilo acarretaria na minha vida, na da minha mãe e na do meu irmão. Pensamentos errados, escolhas erradas. A ficha caiu tempo demais depois.
Daí pra frente a vida voou. Minha mãe parou de trabalhar, meu pai não parou de trair e de mentir, eu e meu irmão continuamos crescendo. "Você está ridícula", "Parece um monstro deitada desse jeito", "Você não tá gorda, só ocupa um pouco mais de espaço". Eu ouvi tudo isso do monstro, e essas frases floresceram dentro de mim como a roseira mais negra e mais cheia de espinhos que alguém já possa ter visto. Doeu.
Crescer dói, e dói mesmo. Você se constrói e desconstrói inúmeras vezes na tentativa de se encaixar de uma forma melhor da próxima vez. Mas nunca está bom o suficiente, nem pra você mesma nem pra ninguém. E "você precisa ser a melhor em tudo que fizer". "Não faz mais do que a sua obrigação".
Aos 15 tive depressão, ninguém viu, ninguém quis ver. Era só preguiça, "você não tem doença nenhuma", "para de dormir um pouco, vai ver o sol". Eu pensava: quando eu fizer 18 tudo vai melhorar, eu vou morar sozinha, vou trabalhar, vou ser independente. Não fui.
Aos 16 comecei a namorar o cara que viria a marcar minha vida com traição e mais sofrimento. Porquê eu? De novo? A vida só gira em torno disso mesmo? Minha mãe estava com câncer.
Aos 18 saímos de casa, minha mãe voltou a trabalhar, eu comecei a trabalhar, e nascemos de novo. Nascemos pobres, mal-falados, afastados. Nem todo mundo me amava de verdade. As pessoas só amam as fofocas, as possibilidades de vantagem. Nem a si mesmo as pessoas amam.
Aos 19, passei em medicina. Mas é pública? Mas vale a pena? 6 mil por mês. Vai ter fies?
"Eu não tenho dinheiro, não vou te ajudar". Nem um parabéns. Tudo é dinheiro.
Fui pra São Paulo, Turma 1, inseguranças. Fies 100%, único jeito. 500 mil de dívida. "Será que vale a pena?". Não há dinheiro pro almoço, nem pra janta. "Cadê o dinheiro que eu mandei?". Meu namoro de 3 anos e meio acabou. Decidi desesperadamente transferir, voltar pra minha cidade, pra minha mãe, pra ele. Parecia um conto de fadas. Ia dar certo.
Fui pra São José do Rio Preto, Turma 6, mais inseguranças. Meu namoro não voltou. Demorava 3 horas pra chegar em casa. Ainda falta dinheiro. Escolhi errado (?), de novo.
Aos 20 conheci outro rapaz, comecei a namorar. Difícil confiar de novo. Tá dando certo.
Aos 21, ainda estou na faculdade. 500 mil de dívida, sem pai, mãe depressiva e ansiosa, sem dinheiro, poucos amigos, sem esperança. O desespero bate em horas imprecisas.
15 mil pra formatura, 1 mil pra festa, 1 mil por mês pra passar na residência, 600 reais cada prova, queria viajar, queria tirar carta, queria comprar roupa, precisava de avaliação oftálmica, "agora não dá". Sem pai. Mãe depressiva, ansiosa, sem ajuda. Meu irmão vai prestar vestibular,  não sabe o que quer. "Medicina não". Acho melhor não mesmo. Não há emprego pra todo mundo, eles dizem. Não há carreira, não há remuneração, não há residência. Não há nada. "Devia ter feito pública", "não consegue nem transferir". Parece tão fácil...
O que era pra ser a medicina e o que é de fato? O que eu faço dentro dela? Ela me engole, e eu finjo que está tudo bem.
Está tudo bem.
Está tudo bem?
Está?!
E...

Não está.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Eu gosto demais

Eu gosto de MPB, mas nem todo mundo sabe disso. Gosto das músicas abrasileiradas, meio brasileirinhas, meio sapucaí. Me dão paz de espírito, uma vontade de amar, ser amada, agarrar e ser agarrada. Gosto de forró, xaxado, samba (de sampa também) e de pagode, arrocha, sertanejo. Gosto do sabor da paixão de cada estilo musical.
E eu gosto de dançar. Sabe aquele dançar agarradinho? Gosto também, mas não ligo de dançar sozinha. Danço até músicas que não são pra dançar, pois meu corpo gosta de música também. Danço na chuva, na balada, no meu quarto, no seu quarto, no chuveiro, na minha mente quando a sociedade me obriga a fingir que não há ritmo no meu fone de ouvido. Ah, antes que eu me esqueça de citar, minha música tem sido você.
Disso todo mundo sabe: eu gosto de doces. Desde palavras aos docinhos de aniversário de criança. Apesar de ter chocolate como meu doce preferido, fico mais feliz quando recebo um sorriso doce, um gesto doce, um olhar doce. A doçura escondida que há nas pessoas é a mais gostosa. Dá gosto ver como eu fiquei doce com você, comigo mesma e com o mundo nos últimos seis meses, mesmo tirando aos poucos o açúcar da minha alimentação.
Eu gosto de malhar, e isso foi uma surpresa pra todo mundo (tem quem ainda não acredite nisso de verdade), menos pra mim. Eu sempre soube disso. Sempre fui metódica, a musculação é uma parte de mim. Gosto de me sentir mais forte, física e psicologicamente. E eu estou mais forte, física e psicologicamente.
E eu gosto de rosa, gosto de sorrir, gosto de agradecer, gosto de sentir o vento no meu rosto, gosto de ver o nascer e o pôr-do-sol. Eu gosto de usar vestidos rodados e me sentir com 10 anos de novo, gosto de andar de bicicleta, gosto da natureza, gosto de animais, gosto de fotografias, gosto de praia e de campo. Gosto de ajudar as pessoas, gosto de dar e receber carinho, gosto de receber sorrisos como recompensa. E de repente eu percebi que eu gosto de (quase) tudo.
No último ano eu percebi que eu gostava demais, e gostava tanto que eu não sabia ao certo o que eu gostava mais pra colocar como prioridade nas míseras 24 horas que o dia me dá. E aí você se adicionou na lista que já estava superlotada. Sorte a sua que eu aprendi a escolher. Ou talvez sorte a minha que você também me escolheu. Eu gosto de tudo, mas o mais importante é que eu gosto de você.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Estamos enfeitando domingos

Estou escrevendo sobre você de novo em menos de um mês... Seu sorriso tímido me tomou a atenção e de repente você está acariciando o meu coração enquanto me encara com esses seus olhos castanhos que penetram qualquer alma. Isso é justo?
Transbordei felicidade e amor por sua causa esse final de semana, e eu não pensei que isso aconteceria tão rápido. Sabe, eu jurava que eu não iria me deixar levar. Você chegou de um modo despretensioso, como quem não quer nada além de passar pra falar um 'oi', e olha só você aparecendo sem permissão nos meus pensamentos assim que eu abro os olhos pela manhã e assim que eu os fecho à noite.
Pode soar estranho, mas quando eu olho nos seus olhos consigo ver nitidamente os mesmos sentimentos que estão me dominando, te dominando, e então eu não preciso lhe perguntar absolutamente nada. E você sabe que eu amo a nossa sintonia, e eu amo que ela esteja cada vez maior. Eu sinto como se estivéssemos sintonizados na mesma estação de rádio, ou como se talvez estivéssemos sintonizados um ao outro de um modo inimaginável.
Você diz que te visitei em sonhos, e eu queria que você já tivesse me visitado também. Na verdade, você passa o dia inteiro na minha mente e talvez enjoe dela durante a noite. Ou talvez você não me permita lembrar dos sonhos que já tive contigo só pra manter o mistério.
Nossa sintonia cria uma harmonia que faz os nossos corações baterem ao mesmo tempo, num ritmo calmo como o daquela playslist que eu te mandei depois de uma semana descobrindo músicas que talvez você gostasse, e que você gostou. E é com harmonia que começam as boas músicas. A melodia nós estamos compondo juntos, todos os dias, longe ou perto, nos falando ou não, porque cada nota é um sorriso que você tira do meu rosto, e vice-versa, sem perceber. 
De repente, é como se estivesse escrito em algum lugar que tudo seria assim. E de repente eu gosto muito do autor da minha história, e talvez ele mereça mais agradecimentos do que eu estou de fato fazendo. Eu sempre soube que boas energias atraem boas coisas; a sua energia me encanta, e a minha energia trouxe você.
E você sabe, não sei como, que eu receio dizer muitas coisas, e sabe exatamente quais são elas. Não sei como, eu sinto as palavras que você queria dizer, mas não diz, e você sente aquelas que eu hesito em expôr. Com isso, nossos silêncios dão espaço pros sentimentos voarem ao nosso redor enquanto nossos lábios se envolvem num ciclo vicioso de carinho.
Agora você me fez sentir saudade de você: da sua companhia que por si só já me alegra, dos seus braços ao meu redor que fazem eu me sentir querida, dos seus beijos que me tiram os pés do chão, do seu olhar que me deixa corada às vezes, do seu sorriso que volta de cinco em cinco minutos para os meus pensamentos. O que você vai fazer sobre isso?
Apesar de fechar os olhos, eu não durmo. Penso sobre tudo que já fizemos ou falamos e percebo que, sem querer, decorei cada segundo ao seu lado. E percebo ainda que o farei por muito mais tempo do que imaginei que o faria, e isso certamente me faz dormir muito mais feliz.

Playlist: Coisas que eu queria que ele soubesse


"She's better known for the things that she does on the mattress"



"I'm not your princess, this ain't a fairytale. I'm gonna find someone some day who might actually treat me well..."



"Don't you think 19's too young to be played by your dark twisted games when I loved you so?"



"E mesmo se você mudar, querer voltar, não adianta mais agora que você quebrou aquilo que não vai voltar..."




"I used to think that we were forever, ever, and I used to say never say never... But we are never ever ever ever getting back together."

terça-feira, 19 de julho de 2016

Nobody deserves to suffer for somebody's love

Eu sei que você pensou em mim o dia inteiro, eu sei que você sabe o que 18 significa. Sei que pensou em mim no sábado também, porque 16 significava muito mais. Mas adivinha a novidade? De você, eu só lembrei duas vezes no dia, e isso é significativamente pouco pra alguém que esteve presente na minha vida tão intensamente por alguns anos e que causou um estrago tão grande quando decidiu partir.
Nunca pensei que alcançaria a paz de espírito que alcancei nesses últimos meses; nunca pensei que, de repente, me veria feliz, sem precisar de ninguém além de mim mesma pra isso. E eu nunca pensei que notícias suas seriam tão insignificantes e tão rapidamente esquecidas como aquelas que vieram disfarçadas.
Nada mais martela na minha cabecinha oca, nem os porquês do nosso fim. É aquela velha história do "tinha que ser". Tinha mesmo que ser. Tínhamos que ser e depois deixar de ser.
Me sinto na obrigação de te agradecer por ter ido embora, pelas dores que me causou e que me fizeram crescer tanto, por ter trocado um amor sincero e simples por sentimentos tão superficiais e banais e ter me feito perceber que as pessoas realmente não valorizam as coisas raras quando as têm na mão. Obrigada por ter me feito livre para descobrir que eu posso voar pra muito mais longe e que posso conhecer horizontes muito mais bonitos do que aqueles que você pôde me oferecer. Obrigada por ter feito meu mundo, que era baseado em você, desmoronar, pois assim pude baseá-lo em algo muito melhor e mais firme: eu mesma.
Sua partida me obrigou a olhar no espelho e reconhecer o que eu gostava e o que eu não gostava em mim e na minha vida, fisicamente, materialmente e psicologicamente; me fez parar um pouco pra cuidar de mim, pra refazer meus objetivos e redescobrir meus sonhos. Me fez perceber que eu não só queria ser uma pessoa melhor como queria uma pessoa melhor ao meu lado. Você ter ido embora doeu e muito, mas aprendi que eu não sou metade, eu sou inteira.
Eu não aceito mais falta de humildade, não acho mais bonitinho ser esnobe e nem acho graça no orgulho alheio. Gosto de coisas simples, sentimentos simples, e gosto de quem se arrepende de algo e não tem medo de admiti-lo. Gosto de arrumar os erros que cometo, gosto de ser humana, gosto de simplificar. Não aceito menos do que mereço, e eu mereço alguém inteiro pra ser inteiro comigo. Eu não aceito que achem que têm o direito de me guardar na caixinha pra pegar de volta quando a vida ficar sem graça. Eu quero viver e quero alguém que viva comigo.
Descobri nesses 10 meses que "fique longe o suficiente pro outro sentir sua falta, mas não longe o suficiente pra ele te esquecer" é uma das frases clichês mais reais que eu já ouvi. Eu me acostumei com a sua indiferença, depois com o seu prazer em machucar o meu coração, e por fim eu me acostumei com a sua ausência, e aí, bem, você já não era mais do que uma lembrança. Isso era o que você queria, não é mesmo?! Me lembro bem de quando me disse que "foi lindo o que a gente viveu, mas é só uma lembrança" e sabe, naquela época eu não te disse, mas não se diz isso pra alguém cheio de amor no coração. Não se quebra um coração perfeito.
Agora eu me descobri feliz, flutuando numa paz que eu não tinha com você. Uma vez você me disse que eu seria mais feliz sem você, e eu jurava que não... Eu estava errada, como em muitas outras coisas enquanto estive com você. Realmente tudo que vivemos foi lindo e mais que necessário para o nosso crescimento e amadurecimento, mas agora é só mais uma lembrança, como as que enfeitavam textos desse mesmo blog os quais você me fez apagar (quantas coisas que eu não devia ter feito, eu fiz por você?!). Mas relaxa, ninguém vai me fazer te apagar das minhas memórias, mas talvez elas sejam deixadas na caixinha de "não importa mais" pra dar espaço para as memórias maravilhosas que eu estou construindo agora.
Talvez eu já tenha escrito mais do que esse dia merece, mas é um alívio tão grande não sofrer que eu precisei transbordar, pois como você sabe eu sou muito intensa, e isso não mudou, nem nunca vai mudar, só mudou os sentimentos que eu transbordo. E o que eu espero pra nós dois em todos os outros meses que se seguirão a esse é que possamos transbordar felicidade e paz de onde estivermos. Realmente, we are never ever getting back together.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

I watched it begin again

Sou princesa e você príncipe, combinamos aí. 
No nome é forte, entretanto ainda não sei quanta carga você aguenta de fato; eu já aguentei muita, posso me considerar forte então?! Podemos combinar nisso também.
Corajoso sei que é verdadeiramente, pois se abre pra mim e se mostra disposto a me entregar seu coração. Não sei se sou boa nisso de carregar corações: já deixei cair alguns, outros eu recusei; outros foram tirados das minhas mãos pelos seus próprios donos, que na urgência de pegarem-nos de volta, ou levaram uma parte do meu junto e esqueceram de devolver, ou deixaram cair. E eu os perdoei, afinal já cometi os mesmos erros. Quantos erros você cometeu? Com quantos você aprendeu? Me resguardo à espera da resposta. Espero que possamos combinar novamente.
Seu olhar pensativo me instiga a pensar e sei que, certamente, pensa a mesma coisa do meu. A manhã de domingo nunca teve tanta graça como aquela em que tive você ali junto de mim. Sua energia de vida transborda, me atinge e me transforma de um jeito bom - o jeito que eu sempre quis ser. É daquele tipo de pessoa que era a inspiração que (me) faltava.
Não sei de propósito quando vai dizer algumas palavras, nem quando decide ir dormir, não nos falamos todos os segundos como eu costumava fazer com outras pessoas; não falo ao mesmo tempo nem tenho as mesmas ideias e os mesmos gostos de propósito - contudo, eu apenas sei, apenas tenho, apenas gosto. Uma sintonia que eu desconhecia, a qual é delicada, graciosa, tímida, e presente.
Com você, eu curto andar de mãos dadas. Com você, eu posso me esforçar pra tentar de novo. Eu posso assistir tudo começar de novo... Não me incomodo com o silêncio depois de alguns beijos e me entrego às carícias singelas que faz no meu braço, no meu pescoço, na minha nuca. Com você, volto a acreditar no amor e na simplicidade das coisas.
Relembro cada memória que temos até agora, desde nossa primeira conversa, num looping infinito procurando brechas que me mostrem que isso é passageiro e que eu não devo me iludir, mas acredito já ser tarde demais. Tento me desiludir ao lembrar de cada beijo, mas considero impossível até o momento. 
Seus olhos castanhos talvez sejam a minha tonalidade preferida de marrom agora. Seu jeito calmo de fazer as coisas combina tanto com o meu, e a sua vibe natural se parece tanto com a minha... Definitivamente, it's a match.
Tá tudo bem você preferir o campo e eu a praia, podemos frequentar os dois lugares, nossa ligação permite isso. E tudo bem você já ter mergulhado com tubarões quando eu nunca o faria. Mas com você, eu pularia de paraquedas, principalmente se depois pudéssemos voar de balão. E mais ainda se depois você me ninasse como naquela madrugada de sábado totalmente inesperada.
Você gosta dos mesmos filmes que eu e têm as mesmas cores de roupa que eu, talvez também tenha o mesmo medo de se machucar que eu. Tudo bem, a gente pode colorir um pouco nossas roupas e nossas vidas. Podemos enfeitar domingos. Podemos pôr curativos em nossos corações e dar um beijinho em cima pra sarar mais rápido.
Não promete nada, só deixa sua playlist tocando, deita comigo, observa as estrelas nos meus olhos que eu observo as que estão nos seus. Acredita comigo que vai dar certo, joga seus medos fora, eu quero fazer isso com os meus também. Me dê a mão.
Nossa conexão está tão próxima, eu tenho medo, ela já existe antes mesmo de nos ligarmos... Quanto ela vai se intensificar?!  Nossas almas talvez não estejam prontas para tal, mas somos jovens e somos teimosos e somos quem somos. O que faremos depois disso? Quanto vamos nos permitir mergulhar nisso? Só quero mergulhar se você estiver disposto a fazer a mesma coisa.
A semana passa devagar agora, e eu, de novo, fico à espera dos próximos finais de semana já na noite de domingo. E sonho a semana toda com aquela doçura que eu jurava que só existia dentro de mim, e eu amo doce, e você sabe disso. Nos devoramos aos finais de semana e nos recompomos durante os outros dias pra depois repetir tudo de novo depois.
"I'll miss you" - "I'll miss you too".
Entra, mas toma cuidado, é tudo frágil. Me deixa entrar também, não prometo não esbarrar em nada, mas me esforçarei. Entra e vem morar aqui. 

sábado, 18 de junho de 2016

Guardo momentos mágicos e um coração partido

O destino é aquele valentão da escola primária que quer os doces que você pôde comprar depois de tanto insistir pra sua mãe deixar. Ele deixa você lutar pra conseguir algo, e depois tira de ti. Tira os sorrisos, os planos, o aconchego de um abraço querido. Ele leva quem você mais ama, seja pra outra cidade ou estado, seja pro eterno.
O destino é aquele professor do ensino médio que insiste em ensinar por métodos passados e reclama pela falta de interesse dos alunos. Ele nos mostra nossas opções, nos dá metas e põe inúmeros obstáculos no caminho. Eu sempre perco alguém no caminho... Pessoas que me fizeram acreditar que o mundo poderia de fato ser diferente do que eu conheço, mas que são impedidas de seguir comigo.
O destino é aquele veterano que você gosta, mas que só demonstra gostar de você quando precisa de algo: desde a sua companhia, até a sua atenção. Ele é aquele que te escolhe quando não há possibilidade de conseguir algo "melhor".
O destino é a pedra no sapato dos seus planos. Dos meus planos. É aquela comida que você não gosta de comer, mas precisa pra ser mais saudável; é a dor de cabeça que dá depois de uma noite de diversão, é o sorriso tranquilo de quem a gente ama quando este está com outra pessoa. O destino é a ferida que nunca cicatriza num paciente acamado.
E o que deveria eu fazer diante do destino sabendo que ele é imbatível? Como chorar por algo que eu já sei que está escrito? E como não chorar como uma criança querendo que as coisas possam ser diferentes? O destino não me deixa mais ver a luz no fim do túnel, a luz que era você. E o que deveria eu fazer nos dias ociosos, de frio intenso e nostalgia, e saudades, e dor, se não reclamar com o destino que ousa em virar as costas pra mim e me ignorar?!
Me distraí bem nas férias passadas... Tinha o mesmo nome que você, a mesma altura e até o mesmo perfume, mas claramente não o mesmo amor. Quem vai me distrair agora? Em quem vou depositar meus segundos ansiosos para não deixar escorrer o aperto no peito? Muitas expectativas pra um ano só, não?!
O destino não é o médico, o destino é a doença incurável do milênio. Basta um tratamento paliativo para reduzir os sintomas... Um medicamento chamado vida e um chá de ervas de tempo. Mas o destino estará sempre ali, esperando pacientemente para te surpreender: pra bem ou pra mal. Ou pra bem e depois pra mal. Ele estará sempre pronto a te dar uma 'crise'. Às vezes a crise é de amor, às vezes de dor, muitas vezes de saudade.
O destino é o livro de casamento dos seus pais, que mesmo separados hoje, pareciam felizes para sempre dentro daquele livro. Faz todo o sentido essa breve reflexão visto que os finais felizes só me aparecem dentro de livros...
E o destino é a pessoa certa na hora errada, ou a pessoa errada na hora certa. É a dor da partida e a felicidade do retorno. O destino é nada mais, nada menos, que a angústia de ver a vida passar sem muitos aplausos e sem a sensação de dever cumprido. O destino é a nota baixa que você sabe que não deveria ter tirado, é o feriado que passa rápido demais e é a semana que dura meses.
E o destino não é você quem faz. O destino é o que já está reservado pra você. E eu espero que pra mim o destino, no fim, seja um buquê bonito com um sorriso enorme pra me acompanhar na maioria dos meus dias, uma barriga grande que pode ou não se repetir, vários jalecos pra me dar força e um final - quase - feliz.

domingo, 12 de junho de 2016

Dia dos namorados

"Ela que fala pelos cotovelos
Fica sem palavras
Quando aparece um gesto bonito;
Ela que não abre mão da sua liberdade
Abre os braços
Para um abraço sincero;
Ela que sozinha
Lutou tanto na vida
Sabe que nenhum amor
Pode durar
Sem o esforço de dois."
Zack Magiezi

Há quatro anos, trocamos o primeiro "eu te amo". Eu não tinha ideia como expressar tal sentimento assim como não sabia defini-lo, nem sabia aceita-lo dentro do meu peito. Eu não sabia sentir o amor, não me achava merecedora do seu carinho, e não sabia retribuir de modo satisfatório. Há quatro anos, eu não conseguia acreditar que alguém realmente gostava de mim. E eu chorei, chorei com a cena que acabava de acontecer bem na frente dos meus olhos. Chorei discretamente, pois não sabia chorar por amor. E o abracei, pra sempre.
Há três anos, eram flores. Flores lindas, que eu gostaria que tivessem vivido pra ver o fim do nosso amor. Ou da nossa constância. Uma, a mais especial, branca e pura como foi o nosso relacionamento, essa durou. Você a fez durar. Hoje ela está sufocada dentro de uma sacola com a promessa de que você voltaria para buscá-la. Você não voltou.
Há três anos, foram flores em meio aos espinhos das nossas vidas. Quanta correria, e ainda arranjávamos tempo para amar. E amar exige esforço, mas não naquela época. Há três anos, era como respirar. E precisávamos respirar juntos.
Há dois anos, o ciúme invadiu e o seu amor me prendeu. O seu amor era explícito, é verdade. Eu o magoei. Imatura que era, já sabia aceitar, mas não valorizar. Sabia receber seus toques, seus presentes, seu sorriso e seus beijos. Não sabia demonstrar o quão grata eu era. Escolhi você, é certo, mas te machuquei, e pra isso não há perdão. Eu não me perdoei ainda. Tenho certeza que você não me perdoou também, e nem se perdoou por ter ido embora. Há dois anos, acertamos e erramos num ritmo frenético de quem está em sintonia. Há dois anos, houve muitas decepções nas nossas vidas.
Há um ano, estávamos separados fisicamente, mas o coração pedia um ao outro. Na minha cabeça está gravada a tutoria sobre bioquímica e a saudade que eu sentia (sinto) de você. Há um ano, nunca imaginávamos estar como estamos hoje. Há um ano, você chorava no Skype enquanto nos declarávamos. Era sincero, sei que sim.
Há alguns dias, jurei não falar mais de você. Jurei pros outros, e pra mim, que não sinto mais sua falta. Há meses me sinto confusa. Há meses não sei mais o que sinto. Sei que você também se sente assim. E prefere estar assim, afastado de mim, por querer tanto estar entre os seus. Prefere abnegar o amor, que mesmo depois de 9 meses se apresenta assim, neste texto, do que tê-lo, e ter-me, em seus braços.
Vou lhe dizer que prefiro substituí-lo. Prefiro encontrar outros carinhos e outros sorrisos para me aquecerem a alma do que procurá-lo como rocha, fria e pontiaguda, que só faz me machucar toda vez que insisto no mesmo erro. Nesse dia, sinto sim sua ausência, mas não há mais dor, só há vazio. Espero que o seu vazio não esteja sendo tão grande, mesmo com ela ao seu lado, já que ecoa por todos os lados aquela frase do final de fevereiro: "eu penso em você a todo momento, quando não estou com ela, e também quando estou".

sábado, 28 de maio de 2016

Sinceridades tinderianas nunca ditas

"Oi. Eu pareço ter 16 anos, mas tenho 20 e não escolho rapazes mais novos que eu (não que isso tenha me evitado algumas mágoas). Meço 1,64 metro de altura e também não escolho rapazes menores do que eu, me incomoda ser mais alta, gosto de me sentir pequena, provavelmente isso se deve à minha insegurança com relação ao meu corpo.
Acredito rasamente em signos, mas se você for de capricórnio eu aconselho a não me dar like. Se for touro também não. Se for de peixes ou de libras, pode dar super like... Porém, se mesmo sendo desses signos, você não é estilo príncipe encantado que se apaixona fácil, é carinhoso e gentil, aconselho a ir embora antes de me decepcionar.
Busco relações mais profundas do que simples ficadas e não quero ser mais uma história dentro do seu carro. Quero mãos dadas, sorrisos bobos e conversa fiada. Gargalhadas podem ser acrescentadas também.
Sou o tipo de garota que está entre a adolescência e ser adulta (e que gosta de estar nesse meio termo), mas só deixa transparecer a parte adolescente pra quem merece. Apenas um mereceu até agora... Essa parte de mim ama desenhos animados (e a Disney), acredita em contos-de-fada (e que eu sou uma princesa), gosta de comer algodão doce, usa tudo que tem glitter e rosa, além de acreditar que qualquer dor pode ser curada comendo chocolate. Pro resto do mundo, eu sou adulta e brava, de poucas palavras, tímida, quieta, na minha e até um pouco grossa. Cada um tem a parte de mim que merece...
A parte adulta tem suas qualidades também, mas às vezes eu acho que essas qualidades são tão boas que assustam os rapazes. Começo a acreditar que determinadas coisas só são boas de fato quando ficam apenas na imaginação, pois quando se materializam as pessoas tendem a fugir.
Infelizmente sou muito seletiva. Pra te dar like eu vou analisar suas fotos, sua idade, sua descrição e sua educação. Sei que quem muito escolhe, nada tem, e deve ser exatamente por isso que eu estou sozinha."

sábado, 14 de maio de 2016

Foi uma história de amor

É, eu o amei.
Nos conhecemos em março, primeiros dias do primeiro ano de cursinho dele. Ele usava uma camiseta verde muitíssimo larga, eu ainda não tinha ideia do que ele queria esconder. Estava encostado na parede rindo do meu incrível assunto sobre como meu irmão é chato. Foi o sorriso mais lindo que eu já tinha visto. Eu estava sem maquiagem e tinha certeza que estava com a pior cara possível. Entrei no carro e disse: "mãe, sabia que ele vai prestar medicina?". Fui embora sem desviar o olhar.
Dia 17/04/2012, era meu aniversário e uma terça-feira. Nesse dia foi a primeira vez que ele me abraçou. Eu estava contente por estar fazendo 16 anos, parecia tanta idade... Passei maquiagem, e ele notou. Eu tinha passado muito blush, ele disse que eu parecia bronzeada. Eu fiquei ainda mais vermelha.
Dia 21/04/2012, era sábado, e foi a primeira vez que a gente saiu. Fomos jogar boliche com mais alguns amigos para comemorar o meu aniversário. Eu lembro que ele bebeu uma bebida alcoólica de morango porquê queria pedir pra ficar comigo e não tinha coragem. Eu fui embora cedo. Conversamos depois por msn, ele dormiu no amigo dele. Ele queria que eu tivesse ficado mais. Eu poderia ter ficado mais. Lembro de ter pensado que ele se vestia como um boyzinho, mas que ficava bonito assim. Meu pai bateu o carro aquele dia...
Ficamos no dia 16/05/2012, numa quarta-feira (amo quartas-feiras) à tarde, depois do plantão de química. Daquele dia eu lembro de cada detalhe, assim como o resto da semana. Estávamos no pátio de cima, eu estava deitada em seu colo e estávamos conversando e rindo. Ele pedia pra eu olha-lo e eu, sabendo que ele me beijaria, dizia que não. Ele disse que não me beijaria. Eu pensei: "porque não?!". Eu olhei pra ele...
Foi a única pessoa que eu beijei enquanto usava aparelho. Beijamos no pátio de baixo de novo, antes de irmos embora. Minha mãe foi me buscar e eu tive medo que ela percebesse, pois meus lábios estavam vermelhos. Seu amigo brincou: "o que você fez com ela?". O que você fez comigo?! Fomos embora às 17h. Falamos sobre o ocorrido mais tarde por sms.
No dia seguinte, ele me chamou pra sentar do lado dele no plantão e eu não quis. Eu queria, mas tinha vergonha. Perguntei se ele me acompanharia quando eu fosse embora, e ele foi. Nos beijamos. Ele era mais alto, logo sempre se escorava na parede pra ficar da minha altura. Eu gostava, me encaixava entre suas pernas. Cheguei atrasada na aula de violão.
Na sexta-feira, vi ele conversando com outras meninas. Fui dizer oi. Beijei seus lábios bruscamente e rapidamente. Foi uma pequena faísca de algo que estragaria tudo. Ele achou fofo. Agora não acha mais.
Menos de um mês depois, perguntaram o que a gente era e nós não soubemos dizer. Estávamos numa festa após irmos ao teatro. Eu usava um vestido preto muito curto. Senti coisas novas.
No dia 12/06/2012, dia dos namorados, ele me levou pra almoçar num restaurante e me pediu em namoro. Me deu um ursinho com o perfume dele e uma carta. Nela dizia o que eu nunca imaginei sentir de verdade: "eu te amo". Trocamos o relacionamento no Facebook. 
Dia 16/06, tiramos nossas primeiras fotos juntos. Dançamos juntos na festa junina. Ele era desengonçado, mas foi pra ficar comigo. Perdeu horas de estudo pra ensaiar. Foi a primeira vez que ele dormiu na minha casa.
Uma vez, em julho de 2015, eu me maquiei pra gravar vídeo e na esperança dele vir me ver. Eu pedi muito pra ele vir e chorei, e ele falando que não podia, não tinha como. Eu já tinha desistido porquê era mais ou menos nove horas da noite, e eu tava prestes a tirar a maquiagem quando ele me liga dizendo: "eu tô cansado, não dá mais pra mim...". Ele desligou sem me deixar responder. Eu fiquei muito triste, chorei muito achando que tinha errado em brigar porquê ele não podia vir aqui, que eu deveria ter entendido... Até que ele gritou meu nome no portão e eu fui correndo, e quando eu abri ele disse "Não dá mais pra eu viver sem você". Dois meses foram suficientes pra ele aprender a viver sem mim. Dois meses depois de mais de 3 anos.
Eu lembro de cada detalhe do nosso relacionamento: cada briga, cada conquista, cada cena que parecia de filme. Eu vivi por exatos 3 anos e 4 meses o que imaginei ser o meu próprio conto-de-fadas. Eu fui feliz. Não foi um conto-de-fadas, e não teve um final feliz.