sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Cinema

Fila grande, tempos demais para pensar e o propósito em sair de casa não era esse. Conto e reconto as moedas na palma da minha mão. Olho os cartazes pendurados sob as paredes de madeira, com aspecto de estarem ali à anos. Talvez até estivessem ou talvez isso só fosse assim a meus olhos.
Há muitos casais ao meu redor e algumas pessoas em grupos. Uns olhando os outros, um reparando em cada detalhe do outro. Mas eu sou invisível, o que é ótimo no momento. Amizades tão falsas quanto os sorrisos que eles dão. Triste realidade.
Minha vez.
Agora eu só tenho que entrar, me sentar e esperar ficar escuro. Tudo vai passar, eu vou esquecer, depois transbordar. Como sempre foi e sempre vai ser.
A história começa com um "Era uma vez...". Pensei que esse tipo de coisa tivesse saído de moda, mas aparentemente não. Esses contos geralmente têm finais felizes falsos. E depois do tal "felizes para sempre"? Eles não brigaram? Não pensaram que tudo podia ter sido diferente? Eles não sentem falta de absolutamente nada? Não. Porque eles não são humanos. São irreais, fictícios, assim como os fantasmas, as bruxas, os vampiros e todos os tipos de coisa que eu gostaria ser.
Tudo bem, eu devia deixar de ser melancólica, mas eu me envolvo. Eu choro. Eu não sou robótica, mas queria ser. E, bem, eu estou vazando gotas aqui. E não há ninguém para enxugá-las, mas como eu disse, eu estou bem.
Eu não ouço mais as pessoas e eu só me importo comigo mesma. Estou bem assim. Eu estou bem. E vou continuar repetindo isso até eu mesma acreditar.

@sahbellatrix

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