terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Pontos de interrogação

Minha vida é feita de confusões. Papel e caneta são os meus psicólogos, muito pouco eficientes na resolução dos meus problemas pra falar a verdade. E você foi só você, e eu estou apenas sendo eu.
Milhares de coisas passam pela minha cabeça, muitas dúvidas, muitos questionamentos. Porque ao meu redor, tudo parece uma prisão. Todas as correntes de antes circulam ao meu redor, como incríveis e enormes cobras pretas que querem me pegar, me prender como antes. Elas riem de mim.
Coisas, fotos, conversas e pessoas voltam do passado. E tudo é transformado, de repente, em um vendaval. Há folhas coloridas e mortas por todo o lado, assim como aquele relacionamento que eu tanto idealizei (e que era mesmo quase que ideal, não fosse por mim). Colorido e morto. E eu ainda não sei o que o matou. Sou uma assassina? Sou uma má jardineira? Ou eu simplesmente continuo sendo eu, esbarrando em quem não devo, chorando pelo que não devo, escrevendo o que não devo nos lugares que não devo?
Que qualidades tenho? E até que ponto essas qualidades são mesmo qualidades? Qualidades pra quem? Pra mim ou pra você?
Meus sonhos, minhas vontades, todos são guardados a sete chaves e uma senha no lugar mais profundo do meu coração. Não posso, não posso, não posso. Volto a ser quem era, com pequenas mudanças (boas), com maiores lembranças (também boas). Volto a ser confusa. Volto ao poço, talvez ainda não ao fundo. E os meus olhos vermelhos voltaram de vez...
E você foi só você, e eu estou apenas sendo eu. Não há esforço. Não, nunca houve. E em outros tempos, em outras estações, com outros corpos e outras árvores, as forcei a crescer. Aceitei as pragas, tentei curá-las; aceitei o entortamento, tentei endireitá-las; aceitei a morte, elas por sua vez, não quiseram morrer.
Sigo tentando não machucá-la, querida plantinha, pois não sou egoísta. E não querendo me encher de méritos e pondo a modéstia à parte, sou incapaz de fazer-lhe mal. Então porque, percebendo isso, não morres de vez? Eu a enterraria e lembraria de ti como a boa sombra que fazias.
Insiste em viver. Insiste em tirar meu conteúdo, me matar. Sempre haverá esperanças, pra mim e pra ti.
E ele continua sendo ele, e eu sou apenas eu.

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