sábado, 3 de janeiro de 2015

Do fundo do baú


Descobrindo a cada dia o que significa amar e ser amado é como vou levando os meus dias agora. Amor não é uma droga e também não chega perto de um conto-de-fadas. O amor é a imperfeição do sorriso, do chorar, do falar e do querer. São sentimentos demais resumidos numa única palavra pequena e com muita intensidade se for lida com a devida entonação.
As semanas passam voando para um futuro incerto, mas que sei que será surpreendente. Amadureço e me admiro com o quanto estava errada sobre amar; sinto que as coisas mudam, porém só as sinto mudar dentro de mim. Ele me transforma a cada dia no que melhor posso ser. Ensinou-me já a amar, a sorrir para quem merece e não espera, e também para quem não merece, mas precisa de um sorriso. Ensinou-me a compreender os erros e a questionar certezas, e acima de tudo, ensinou-me a ser eu mesma.
Sinto agora o que é saudade, a ausência do aconchego de tê-lo por perto, do seu toque sob minha pele áspera, dos seus olhos presos aos meus. Deixo-me levar por pensamentos insanos, vago na minha imaginação entre os sonhos e desejos, e a realidade quase irônica de não podermos estar grudados como gostaríamos de ficar.
E ainda há quem julgue, há quem discuta, há quem lute contra isso que temos. Isso que ninguém entende e que nunca entenderão porque é além da capacidade de um cérebro treinado para ser extremamente racional e um coração treinado para ser esquecido dentro do peito; frio, sem sentimentos, sem nada.
A comodidade que me traz, o convívio natural desde que fitamos um ao outro, os sorrisos verdadeiros, os sacrifícios em prol de quem amamos; tudo se resume em amar. Um amar intenso, puro e real que, sinceramente, eu pensava não existir. Não nessa sociedade dura de hoje, não entre os jovens que divertem-se usando uns aos outros e esquecendo no seguinte nascer do sol. Eu queria fugir, correr e viajar, ir para um lugar escondido aonde aqueles que me conhecem, nunca pudessem achar-me; no entanto, ele segurou-me pela cintura, encostou seus lábios aveludados contra os meus rachados e acalmou minh’alma, prendeu-me aqui de modo que nada mais importa se ele está por perto.
Sempre senti-me protetora, nunca protegida. Agora, porém, tudo mudou. Acredito que para melhor, já que anseio todos os dias pela manhã ouvir sua voz e ver seus olhos brilhando como duas esmeraldas perfeitamente lapidadas, vindas para mim como presentes de Deus.
Amor é quando você fecha os olhos para estar junto de quem se ama e, mesmo estando longe, sente o cheiro que o corpo dele passa para o seu, sente o olhar na sua cabeça mesmo quando você não o está olhando, sente a respiração e ouve a voz. Amar é estar presente até quando não se está realmente presente.
Amor é eu e ele, abraçados, deitados na cama, trocando ao invés de beijos, olhares, que demonstram muito mais o que está em nossos corações. Amor é nossas pernas entrelaçadas, nossas respirações entrecortadas e nossos corpos colados. Amar é viver cada momento que já vivi junto dele e muito mais.
Na verdade não existe definição para o verbo amar… Nós mesmos a construímos com palavras e vírgulas para podermos explicar ao mundo o que sentimos dentro do peito ao virar a esquina e encontrar o amor de nossas vidas.

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