quarta-feira, 6 de maio de 2015

Uma reflexão a partir da embriologia

Estudando como a vida começa, a partir de duas células praticamente invisíveis, percebo que nada somos. Me pergunto agora porquê nos achamos no direito de mandar e desmandar nos outros, ou porque tratamos as pessoas diferentes se todos nós viemos à vida da mesma forma: por duas células praticamente invisíveis. As pessoas, no geral, tendem a agir e a falar sem saber, logo pode-se garantir que a ignorância, na verdade, é o que destrói o mundo e a humanidade.
A falta de conhecimento induz a tragédia, a violência e a falta de respeito desde que o mundo é mundo; e mesmo assim esse fato é ou ignorado ou finge-se que não se sabe dele. O mundo hoje, apesar da ciência tão avançada, dos métodos de tratamento de doenças tão superiores aos de antigamente e do relativo aumento da expectativa de vida por conta disso, continua persistindo nos mesmos erros do passado. Há violência, há fome, há discriminação, quando todos na verdade vieram dos mesmos dois tipos de células praticamente invisíveis.
A cada dia me apaixono mais pela natureza e pela ciência. Percebo que tudo têm uma explicação, mas às vezes nós temos preguiça de procurá-la. O homem, ser muito complexo, não pode ser considerado o melhor dos seres. Ele é apenas mais um ser do planeta, porém a sensação de ser apenas mais um provoca determinado sentimento ruim, o qual é inexistente nos outros animais e por isso somos os piores dos seres.
Jogo então, por enquanto, a culpa de todos os atos falhos da humanidade nos sentimentos, esses malditos que brincam conosco como se fôssemos marionetes. Agimos por impulso por causa do amor, da paixão, da raiva, do ódio e calculamos os nossos passos (ainda que de mau jeito) devido à saudade, ao medo, à insegurança. O fator complexante da equação das nossas vidas e da nossa história é o sentimento, aquilo que não conseguimos direito controlar, e que, na verdade, nos controla.
A vida é fácil e simples, nós que a complicamos. Para sobreviver basta respirar, comer, dormir; então por quê insistimos em viver? Éramos células, transformamo-nos em organismo e passamos a vida buscando mais um sentimento pra nossa coleção: a felicidade. E é essa busca insaciável que tanto complica o ato de viver.

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