terça-feira, 25 de agosto de 2015

Monólogo.


Eu não consigo ser aberta, de boa e menos neurótica. Desculpa. Desculpa não ter te avisado antes sobre mim, eu também não sabia que seria assim. Eu não me reconheço também. É, eu sei, sei que sou contraditória e confusa. Eu sei, estou pedindo desculpa. Tá, eu sei que não é o suficiente.
Eu não te falei enquanto conversávamos pois não queria que você desanimasse ou desistisse de mim, de nós. Eu queria ser exatamente o que você sempre quis, da mesma forma que você é exatamente como eu sempre quis: os mesmos olhos, a mesma cor de cabelo, a exata altura, o mesmo romantismo e a mesma quantidade de safadeza, afinal isso não é um conto de fadas. Isso, é a nossa história.
Não, eu não era assim com os outros. Eu só sou assim com você. É, eu sei, é um azar mesmo. Na verdade eu acho que é o preço de amar. Claro que eu te amo! Eu sinto muito... É, eu sei, sei que fui eu quem propus. Mas eu ainda quero, só não quero dessa forma, com essas pessoas...
Infelizmente não. Isso não tem nada a ver, meu amor por você é real. Se eu não o amasse, não haveria motivo pra ciúme. Ciúme é medo de perdê-lo. [...] Você sempre soube disso... Claro que sabia! Eu sou insegura sim, com a minha aparência, com a minha inteligência, com tudo. Você costumava achar fofo. Você costumava ser o mundo, o meu mundo.
Eu que fui ingênua então? Ótimo.

Eu estou desistindo de você, de nós. A distância faz deste um ato necessário. Você mesmo disse que a distância estava fazendo muito mal a nós dois. Você tinha razão. E pensar que eu cresci sobre você, como uma orquídea cresce no topo de uma árvore para captar luz. Assim eu consegui mais luz do que antes em toda a minha vida. Cresci e desabrochei sobre você. Fui quem nunca imaginei ser, fiz coisas que pensei serem impossíveis pra mim. Junto a você, virei flor. Agora, prestes a virar fruto, tudo fica incerto. Como se eu virasse uma parasita. Antes que o vire de verdade, vou embora. Eu teria seguido você para qualquer lugar. Tudo o que sobrou foi um resquício de um amor de conto-de-fadas.

E não viveram felizes para sempre.

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