domingo, 12 de junho de 2016

Dia dos namorados

"Ela que fala pelos cotovelos
Fica sem palavras
Quando aparece um gesto bonito;
Ela que não abre mão da sua liberdade
Abre os braços
Para um abraço sincero;
Ela que sozinha
Lutou tanto na vida
Sabe que nenhum amor
Pode durar
Sem o esforço de dois."
Zack Magiezi

Há quatro anos, trocamos o primeiro "eu te amo". Eu não tinha ideia como expressar tal sentimento assim como não sabia defini-lo, nem sabia aceita-lo dentro do meu peito. Eu não sabia sentir o amor, não me achava merecedora do seu carinho, e não sabia retribuir de modo satisfatório. Há quatro anos, eu não conseguia acreditar que alguém realmente gostava de mim. E eu chorei, chorei com a cena que acabava de acontecer bem na frente dos meus olhos. Chorei discretamente, pois não sabia chorar por amor. E o abracei, pra sempre.
Há três anos, eram flores. Flores lindas, que eu gostaria que tivessem vivido pra ver o fim do nosso amor. Ou da nossa constância. Uma, a mais especial, branca e pura como foi o nosso relacionamento, essa durou. Você a fez durar. Hoje ela está sufocada dentro de uma sacola com a promessa de que você voltaria para buscá-la. Você não voltou.
Há três anos, foram flores em meio aos espinhos das nossas vidas. Quanta correria, e ainda arranjávamos tempo para amar. E amar exige esforço, mas não naquela época. Há três anos, era como respirar. E precisávamos respirar juntos.
Há dois anos, o ciúme invadiu e o seu amor me prendeu. O seu amor era explícito, é verdade. Eu o magoei. Imatura que era, já sabia aceitar, mas não valorizar. Sabia receber seus toques, seus presentes, seu sorriso e seus beijos. Não sabia demonstrar o quão grata eu era. Escolhi você, é certo, mas te machuquei, e pra isso não há perdão. Eu não me perdoei ainda. Tenho certeza que você não me perdoou também, e nem se perdoou por ter ido embora. Há dois anos, acertamos e erramos num ritmo frenético de quem está em sintonia. Há dois anos, houve muitas decepções nas nossas vidas.
Há um ano, estávamos separados fisicamente, mas o coração pedia um ao outro. Na minha cabeça está gravada a tutoria sobre bioquímica e a saudade que eu sentia (sinto) de você. Há um ano, nunca imaginávamos estar como estamos hoje. Há um ano, você chorava no Skype enquanto nos declarávamos. Era sincero, sei que sim.
Há alguns dias, jurei não falar mais de você. Jurei pros outros, e pra mim, que não sinto mais sua falta. Há meses me sinto confusa. Há meses não sei mais o que sinto. Sei que você também se sente assim. E prefere estar assim, afastado de mim, por querer tanto estar entre os seus. Prefere abnegar o amor, que mesmo depois de 9 meses se apresenta assim, neste texto, do que tê-lo, e ter-me, em seus braços.
Vou lhe dizer que prefiro substituí-lo. Prefiro encontrar outros carinhos e outros sorrisos para me aquecerem a alma do que procurá-lo como rocha, fria e pontiaguda, que só faz me machucar toda vez que insisto no mesmo erro. Nesse dia, sinto sim sua ausência, mas não há mais dor, só há vazio. Espero que o seu vazio não esteja sendo tão grande, mesmo com ela ao seu lado, já que ecoa por todos os lados aquela frase do final de fevereiro: "eu penso em você a todo momento, quando não estou com ela, e também quando estou".

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